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O desafio fora lançado uns meses antes… chegou-se a consenso e a aventura foi assumida por 4 TSF’s (Cláudio Costa, David Armindo, Rogério Monteiro, Ruy Leitão). O desafio foi o de ligar a costa à fronteira, numa travessia transversal a Portugal, usando o vale do Tejo e o rio como companheiro.

O objetivo foi fazer o percurso em autonomia, com um custo baixo e com saída e chegada a casa, sem depender de outro transporte além da bicicleta e comboio.

Esteve igualmente presente que a despesa com locais de dormida e banhos, ao fim do dia, revertesse em prol das associações que nos acolhessem.

 

DIA 29.06.2017 - 5ªfeira – Etapa 0

Sendo nós de Leiria, a etapa 0 aparece com a necessidade de partirmos da costa (local escolhido – Praia da Vieira). Aproveitando casa do CC nesta praia, saímos pós as 19h do Parque Radical de Leiria, para cumprir os 32 km de distância entre os 2 locais, e pernoitar na Praia da Vieira, de forma a no dia seguinte podermos partir cedo.

Compromisso do RL, fez com que não pudesse fazer este troço inicial, assim sendo os 3 TSF cumpriram o previsto. Animo elevado e vento contra : ) fizeram com que chegássemos após algum esforço adicional à casa do nosso anfitrião. Rápida preparação e troca de roupa e estávamos prontos para Jantar. Aterramos no café Caphé, e descobrimos que o sinónimo de pica-pau lá, é um prato XL muito bem servido. Nham…nham!

Surpresa foi a visita de ânimo do Endy e Sónia, que fizeram questão de vir ter connosco, para nos desejar boa Travessia. Travessia esta que é um desafio que também eles pretendem fazer brevemente.

Chegada a hora de fazer O-ó, lá nos acomodamos nos nossos sacos cama… e puf!

 

DIA 30.06.2017 – 6ªfeira – Etapa 1

6:30h, de pestana aberta arrumávamos os pertences, tomando pequeno almoço por conta do anfitrião. Bikes preparadas e as fotos da praxe para assinar o marco da partida, lá seguimos!

O sol vislumbrava, mas à medida que avançávamos em direção montante, junto do rio Lis o cinzento cobriu o nosso teto, chuviscos e após chuva grossa persistia a abençoar o nosso arranque. Molha e frio, para que não parássemos de pedalar.

Já próximo da Barosa, dá-se o encontro com o Ruy, que seguia o track GPS em nosso encalce para se juntar a nós. Momento de convívio e boa disposição, e um toque inadvertido de um veiculo na mochila do Cláudio, puseram-nos a mexer novamente.

Seguimos Via Polis, despedindo-nos da cidade (após paragem na Cervejaria Armando), trilhos e Vale Maninho até Fátima, rumando próximo de Torres Novas e Entroncamento, contornando a norte a nossa linda Serra d’Aire. Num misto de trilhos e estrada seguimos, perdendo as referencias habituais e conhecidas do “nosso quintal”, à medida que os quilómetros acumulavam. O GPS passou a ser o suporte necessário, com os track’s que o CC passou horas a afinar previamente.

O almoço no restaurante das bombas de combustível GUI, em Outeiro Grande – foi um espetacular convívio, com excelente serviço de boa disposição e por isso retemperador.

Ao fim do dia chegavam a primeiras referencias à existência de “calo no nalguedo”, situação amenizada com a paragem no local de dormida nas instalações dos Bombeiros de Constância. Cumpridos estavam os 100km desta etapa, cuja altimetria foi no grosso realizada no período da manhã.

Após a simpática receção, fomos à banhoca, troca de roupa… direito a tomar os “Ben-U-Ron” e “Compensan” (sob forma de lata de aluminio) da máquina de vending e após o merecido jantar, beira  confluencia do Tejo e Zezere.

Partilhamos local de dormida com um grupo de escuteiros, sendo que a nossa saída cedo não permitiu avaliar se o “intenso corte de lenha noturno” : ) lhes roubou o sono.

 

DIA 01.07.2017 – Sábado – Etapa 2

Arrumados os pertences, à hora de abertura da cafetaria pelas 7:00h, estávamos à porta para tomar o pequeno almoço.

Apesar de a distancia hoje ser mais curta, 60Km, a altimetria seria comparativamente superior ao da etapa 1.

O destino era a Vila de Gavião. A boa disposição e o grupo pequeno permitiram ainda assim um registo de andamento homogéneo. O dia mais quente que o anterior, mas não excessivo tornou-se agradável. Um dia com alguns troços de estrada, mas igualmente com estradões que tornaram a alternância interessante de fazer.

Algumas paragens sucederam-se, às subidas mais intensas, alguns “motores” dependiam de “sumo de cevada”, para melhor desempenho. Pontos de encontro com as gentes da terra, algumas perguntas, algumas brincadeiras e boa disposição.

Bom rendimento, permitiram que chegássemos a Belver, já com a hora de almoço bem consolidada no relógio (e na falta sentida na barriga). Após indagar onde poderíamos almoçar, junto a populares que se encontravam próximo de um incendio em rescaldo, paramos onde fomo orientados, junto à barragem de Belver. Após uma primeira abordagem mal sucedida num dos locais, aterramos em cafezinho aprazível, voltado para a albufeira. O calor começava a apertar.

Aqui tivemos um atendimento 5*, assim como um momento explicativo de quem nos atendeu, sobre a interação bicicleta/BTTista, nomeadamente no que concerne à parte de contato com o selim (e na ausência dele). Estava-se ali tão bem, tão bem… que agradavelmente e rapidamente já passava das 16h quando nos apercebemos do horário. Não faltavam muitos quilómetros até Gavião, mas a subida extensa e o calor tornaram os mesmos difíceis de concretizar.

Já passava das 18h quando, alcançamos o quartel de bombeiros de Gavião. Melhores instalações, que as da noite anterior e mais uma vez a atenção especial dada por quem nos acolheu. Serviço de bar do quartel do melhor, pós banho… e jantar em churrasqueira mais acima na Rua. Tão bom, a simpatia e atenção de quem nos serviu na Churrasqueira. As boas simpatias, e comidas, caracterizavam já esta travessia. Houve a necessidade de assinalar no GPS todas estas referencias, para a posteridade, para quem queira repetir …

Incêndios em Macário, preocupavam… mas era hora de restabelecer energias, colocar o corpo na horizontal… e “corte de lenha”… que com o passar das sucessivas noites, ia prejudicando cada vez menos os demais. : )

 

 

TSF - Travessia Portugal 2017 - Vale do Tejo

 

DIA 02.07.2017 – Domingo – Etapa 3

Sabíamos que o dia seria ainda mais quente que o anterior, teríamos de levantar mais cedo de forma a evitar desconforto e problemas.

Sabíamos que pelas 5h abria um local onde poderíamos comer antes de iniciar a etapa. Assim pelas 6.30h estávamos tratados, e pelas 7h já tínhamos descido a alta velocidade todo o vale que tínhamos subido no dia anterior. Altura de escalar novamente Belver, orientando agora para V.V. de Rodão.

Esta etapa foi marcada pelo grande predomínio do alcatrão… pela falta de alternativas viáveis fora de estrada. Rolamos bastante, até que pela 9h, a queda de Ruy, junto à barragem da Pracana, nos toldou as previsões.

A queda resultou em escoriações extensas no braço esquerdo, tronco, e pior o pulso direito fraturado…

Em conjunto orientamos a estratégia, visto que não tínhamos nada, nem ninguém próximo.

Tracionado e imobilizado o braço direito, um benuron 1gr (este verdadeiro) para minimizar as dores e pomada desinfetante e cicatrizante sobre as escoriações, levou-nos a ligar ao parceiro R. Gaspar que de imediato se prontificou vir de Leiria, buscar o TSF amigo.

O calor apertava, o nosso amigo estava o melhor possível. A opção foi ir mantendo o contato telefónico com a boleia e com o Ruy de forma continuada, deixa-lo a aguardar a sombra pelo socorro, e seguir. Daqui para a frente, seguiu o parte pernas, o sobe e desce, alcatrão, muito calor…

Após diversos quilómetros, quando encontramos localidade, a possibilidade de encher cantis e beber algo fresco, foi um energizar. Já estávamos sobre as 12h, relativamente próximo de VVRodão, contudo sabíamos que o vale para lá chegar seria muito penoso… 5km a descer, 5 km a subir… Calor. Contudo foi essa a opção, mesmo que parcialmente induzidos em erro, veio a confirmar-se ter sido a melhor. O excessivo calor prolongou-se e acentuou-se posteriormente. Custava respirar…

Passamos as gargantas do Rodão após as 13h, cartão de visita que nos agradou atingir. A zona ribeirinha foi mais uma vez a opção onde almoçamos e tivemos disponibilidade de sombra para nos resguardarmos do sol.

Faltavam-no 12km para o destino (Perais). Amavelmente ligamos ao Presidente da Junta, a fim de agradecer e cancelar o combinado (dormida) e procuramos ao fim da tarde estadia na Vila em que nos encontrávamos. Às 18h como durante a noite o calor era imenso. Por sorte alguém na rua nos ouviu comentar e orientou-nos para uma casa de Alojamento local. Bom e barato… íamos deitar o corpo muído em camas e casa fresca… por bom preço! (Mais camas em quartos separados... hoje não haveria lenha para cortar por perto!!)

Fomos consolidando que tínhamos feito a melhor das opções, 12km adicionais idêntico aos já feitos, poupando o desgaste físico e do calor.

Com banho e roupa lavada, fizemos passeio pedestre pela Vila até por sorte termos encontrado mais um explendido local de repasto… a preço que não contávamos!

Noite quente rematada posteriormente com boa conversa e um gelado a beira Tejo! Muito bom!

 

DIA 03.07.2017 – 2ª feira – Etapa 4

Confortavelmente e que nem pedras, dormimos!

Pelas 8.00h, hora acertada no dia anterior, levantávamos revigorados, para arrumar pela ultima vez os pertences. Aprumados e sobre as montadas procuramos a “Bolaria”… - sim Bolaria e não Pastelaria… outras terras…outros usos e costumes – para tomar o pequeno almoço.

Posteriormente orientamos para a estação da CP para apanhar o comboio Regional, com destino a casa. A viagem de comboio, junto ao Tejo é qualquer coisa de espetacular! Conseguimos encaixar as bicicletas em espaço para o efeito na ultima carruagem. O ar condicionado da carruagem, o conforto e espaço, com a vista que tínhamos, permitiu uma viagem muito agradável.

No Entroncamento onde chegamos pela hora de almoço, tivemos possibilidade de almoçar entre comboios, na mudança de linha. Novamente, encaixados no novo comboio, seguimos até Caxarias.

Á chegada, o calor era excessivo, optamos por completar o parco almoço do Entroncamento e fazer tempo, num café, antes de concretizar os remanescentes 33 km até Leiria. Ainda assim registamos 49,7ºC no termómetro, quando nos colocamos em marcha. Optamos por fazer a distancia por estrada, com paragens frequentes de forma a recuperar, sem chegar à exaustão.

Pelas 17,30h chegávamos ao fim do nosso track… na Cervejaria Armando, onde tínhamos estado na 6ªfeira anterior, no curso da etapa 1, com a promessa de rematar ali a nossa aventura.

Foi ponto de encontro com Ruy, que não obstante o facto de infelizmente não ter podido concretizar a travessia até ao fim, é como se o tivesse feito – esteve presente em pensamento.

Contamos ainda com a presença de Hugo Brites, num convívio final de remate!

Foi um desafio, ultrapassado, a que este grupo se propôs, possível pela interajuda e camaradagem, não esquecendo o apoio de amigos e sobretudo familia! Ficará na memória!

Bem hajam!

Á próxima aventura…

 

David Armindo

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publicado às 23:49


17 comentários

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De D'Armindo a 10.07.2017 às 23:24

Desculpa Rogério, ou seria da hora... ou então o Costa apareceu-me na TV :)
O Rogério só esteve na Costa no arranque... e houve bons momentos de pedal em que só lhe via as costas :). Bom registo e ritmo o deste Rogério!


Fez um ótimo trabalho fotográfico!

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