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Trilhos Sem Fim e o aniversário do Rafael - subir à Chainça

publicado às 20:46

Escócia 2019 - Coast to Coast to Coast - Parte II

por Trilhos Sem Fim, em 25.06.19

17 de Junho | Dia 5 - Etapa 4 -  Fort Augustus - Kinlochleven (75,5km - 950 D +)

O despertar foi à hora habitual (7h00) e a reunião dos Trilheiros estava marcada para a sala de pequeno almoço, que embora não fosse a opção descrita no road book, o staff havia avaliado de véspera, ser a melhor opção. O dia amanhecera chuvoso mas esta era uma etapa que prometia recordações muito positivas.

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O primeiro destino do percurso seria a deslocação ao centro da vila para registar o momento devidamente fardados e acompanhados pelas bicicletas, daqui seguiríamos pelas margens do Rio Oich e depois pelo Lago Oich, cuja passagem foi efetuada junto à belíssima ponte de Oich, uma ponte suspensa, construída em 1854 que marcou a primeira pausa matinal (após as fotos iniciais) para registar momentos.

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Num traçado rolante e envolto em paisagens muito agradáveis, quer pelos canais, quer pela vegetação em zonas mais frondosas, permitia um andamento célere e descontraído e a realização de fotos e vídeos na passagem de cancelas ou túneis, ou mesmo em andamento.Aos 16km atravessámos uma vez mais a A82 e o nosso companheiro de viagem deixou de ser o Lago Oich e passou a ser o Caledonian Canal cuja margem percorríamos pela Great Glen Way que nos levaria pela margem direita do Lago Lochy.

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A Great Glen Way é um caminho semelhante a uma ecopista, plano e compacto e até ao km 32 foi o nosso guia, onde, junto à localidade de Clunes apanhámos a estrada B8005, embora estreita era uma estrada asfaltada e que serviu apenas para retomar novamente a Great Glen Way até Benavie. Neste troço, o cenário era duplamente belo, uma vez que a Great Glen Way era ladeada à direita por um canal e à esquerda pelo Rio Lochy.Nesta altura, o Sol já brilhava e a vegetação adjacente ao Rio e ao canal assumia uma tonalidade de verde mais brilhante. Íamos também encontrando algumas pontes móveis, que tivemos oportunidade de ver em funcionamento, antes da chegada a Benavie, onde assistimos ao funcionamento do Neptune's Staircase, um sistema de elevação de embarcações.

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Em Benavie, depois de visitar a loja Nevis Cycles, que deu assistência aos nossos antecessores, decidimos que Fort William seria uma excelente opção para almoçar. Comunicámos com o Staff e a escolha recaiu num repasto na cadeia norte americana de fast food, com maior notoriedade a nível mundial, e curiosamente, um dos patrocinadores da Zona 55. Foram mais 8 km rolantes percorridos na Great Glen Way.

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Terminado o repasto, e mal pegámos nas bicicletas, abateu-se uma enorme chuvada, que nos acompanharia até ao final da etapa.Em Fort William encetaríamos a caminhada ascendente para a montanha Ben Nevis, que ia desde o nível do mar até aos 333m em 12km.A primeira tranche da subida seria ainda em terreno asfaltado, dentro de Fort William, pela Lundrava Road, até apanharmos a antiga Estrada Militar, em piso mais rústico, embora asfaltado até ao km 63.

Neste primeiro topo, a bicicleta do RM enrolou a corrente, sem que os colegas dessem por isso, tendo ficado apenas o NS para ajudar a desenrolar. Já temíamos o pior mas não se confirmou e a máquina lá conseguiu avançar (neste caso a descer visto que antes da grande subida havia uma pequena descida).

Dando pela falta destes dois elementos, os restantes já vinham no seu encalce.A partir do km 63 terminaria o piso asfaltado e encetaria o ponto mais marcante da etapa e quiçá desta aventura.

A descoberta de que a pedra escocesa não escorrega, mesmo que molhada. Esta situação fez com que mesmo debaixo da intensa chuva que se fazia sentir, a abordagem à subida (toda ela em cascalho) fosse mais confiante, assim como as descidas, a partir do km 70, empedradas, molhadas, inclinadas, bastante técnicas e com alguns caminheiros.

Nestas, o regozijo e a felicidade era geral após cada troço que ia sendo dobrado. Neste segmento não foram recolhidas muitas imagens, fruto do relevo e da chuva que nos acompanhou em toda a descida e subida, que além do gozo velocipédico, acrescentou também as maravilhosas paisagens do Ben Nevis. Este último troço desembocava na estrada B863, que nos levaria até ao Hostel BlackWater.A chegada foi apoteótica, ainda carregada de adrenalina e felicidade geral, na qual se disse a frase "Foi um dos melhores dias de BTT da minha vida".

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Tomado banho, guardadas as bicicletas e posta a roupa a secar, foi altura de ir às compras e confecionar um jantar conjunto. Antes de jantar, o RM debruçou-se debaixo do sofá à procuro de algo que ainda não sabemos o que seria.Após o jantar seguiu-se a habitual sessão de Geocaching e uma visita a Kinlochleven, uma vila criada para albergar os operários que trabalhavam o na North British Aluminium e na central hidroelétrica. Aqui sentia-se uma resença bastante efetiva de midjes, pelo que o tempo na passado na rua não foi muito.

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18 de Junho | Dia 6 - Descanso
O dia amanhecera cinzento e não tínhamos pequeno almoço no Hostel, contudo havia um mini mercado ali perto, onde já havíamos ido na véspera adquirir os bens para o jantar e foi lá que elegemos como o local para tomar o pequeno almoço.

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Como não havia sido possível alugar um segundo carro para usufruir deste dia de folga, o grupo dividiu-se em dois, sendo o CC, o RG e o RL foram de autocarro, cuja paragem era junto ao mini mercado e os restantes foram de carro e tinham como primeira missão encontrar um local para lavar a roupa.

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Realizada esta tarefa, o local de encontro seria a Ben Nevis Distillery, onde realizamos uma visita acompanhada, que se mostrou bastante eloquente acerca de todo o processo de fabrico das várias referências de Whiskey.Após a visita, fomos ter com a Bárbara Meseses (Filha do Manuel Meneses dos Chou Bike), que trabalha num Hotel em Fort William, com a qual almoçámos.

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Após o almoço, o grupo dividiu-se novamente, tendo o RG, o CC e o RM regressado de autocarro, aproveitando para fazer as compras para o jantar,  e os restantes foram levar a Bárbara ao seu local de trabalho, que aproveitou para nos presentear com uma espetacular visita guiada.De regresso ao hostel, o RL e o RM ficaram, tendos os restantes ido visitar o espetacular Vale Glen Coe, palco da rodagem de filmes como o 007 ou o Braveheart. O tempo estava nublado e fazia sentir-se muito vento, pelo que a visita não foi, de todo, demorada.

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O jantar seria novamente massa, comida de atletas, que o dia seguinte prometia um prólogo bem duro.Antes do repouso ainda estabelecemos contacto com umas simpáticas caminheiras da Letónia, sendo que uma delas havia residido e estudado um ano em Portugal.

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19 de Junho | Dia 7 - Etapa 5 - Kinlochleven - Ardlui (65km - 1550 D +)

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O dia de descanso serviu de retempramento de energias para a Etapa Rainha desta aventura, pelo menos no que à altimetria diz respeito. O tempo estava cinzento e as previsões indicavam chuva e vento, e embora à saída do Hostel ainda não estivesse de chuva, o dia viria a ser bastante molhado.

Esta era uma zona com muita presença de midjes e até as tarefas mais elementares a fazer nas bicicletas antes da partida, eram dificultadas. O RG, "jogou na defensiva" e não facilitou.

Havia ficado decidido que o pequeno almoço seria semelhante ao da véspera, comprando alimentos no mini mercado.

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Com o estômago aconchegado, lá partimos rumo ao tenebroso prólogo que nos esperava, com uma subida seguida de 550m, em apenas 8km, com o terreno um pouco pesado e sinuoso.
A subida pela West Highland Way, seria a acompanhar o pipeline de água, enormes condutas de abastecimento de água, captada nas montanhas, e que abasteciam a antiga central hidroelétrica. Com uma inclinação assinalável, e o piso em cascalho, a subida lá ia sendo paulatina e faseadamente palmilhada, com algumas paragens para fotos e para observação de algumas cascatas, formadas pelas obras de engenharia.

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Passada esta primeira fase, o piso começou a mudar, sendo que em alguns troços o relevo era muito parecido com o que havíamos encontrado na segunda etapa, e de quando em vez tivemos mesmo que levar a bicicleta à mão. A dureza da subida ia sendo compensada pela fabulosa vista das verdejantes montanhas e do vale.

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Nesta fase ainda não se registava precipitação.Num dos topos atingidos, onde aproveitámos para reagrupar, descansar um pouco e tirar umas fotos, deu-se o episódio do dia, em que reposto o fôlego, arrancamos para uma descida técnica e inclinada, à qual se seguia uma subida geminada em relevo. Ficando o CC e o NS para o fim, repararam que alguém havia deixado uma mochila esquecida em cima de uma rocha. Era do RG, que ia galgando obstáculos, como se não estivesse carregado... e não estava... O NS trouxe a mochila (carregou com duas), não resistindo contudo a uma pequena tropelia, que fez o RG ainda galgar, em corrida algum terreno para resgatar a "perdida mochila".

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Ao km 7 atingiríamos o ponto mais alto da etapa e encetaríamos a descida, que nos levaria até ao Glen Coe Valley, que havíamos visitado de véspera. Aqui a descida era muito exigente em termos técnicos, com muita pedra, já molhada da chuva que ia caindo, e tinha o acréscimo de dificuldade de num caminho estreito nos irmos cruzando com centenas de caminheiros. No Glen Coe Valley entrámos, numa antiga estrada militar, que nos levou a apanhar, mais à frente, a West Highland Way, que seria em piso asfaltado até ao km 15, onde entraríamos novamente num piso de cascalho, ligeiramente ascendente até ao km 18. Daqui para a frente, descemos, no mesmo relevo, até ao km 28, onde teríamos uma "picada" de 150m D+ em 1,5 km, que serviria para abrir o apetite para o almoço.

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O Almoço foi no Bridge of Orchy Hotel (km 32), onde voltámos a encontrar alguns caminheiros que encontrámos durante a etapa e onde chegámos exaustos e encharcados mas onde o nosso Staff já nos esperava, com sandes, contudo a chuva fez com que desistíssemos da ideia do pic-nic e guardássemos o repasto para o dia seguinte.

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Após a retemperante refeição quente, voltámos ao caminho, que apenas estávamos a meio da etapa, em termos de km e com a chuva que estávamos a apanhar, o restante dia prometia alguma dureza.

Atravessámos a linha de comboio (da linha mais cénica do Mundo) e seguimos por mais uma antiga estrada militar até às imediações de Tyndrum (km 42) onde chegámos após uma breve passagem de 2km pela A82 e o nosso caminho, uma vez mais cruzou-se com a West Highland Way, onde continuo a nossa saga de abertura de cancelas (foi possivelmente o dia em que tivemos que repetir mais vezes este gesto. Ao km 60,cruzámo-nos com a A82 e fizemos os últimos 5km da etapa, até ao Hotel, em asfalto, sempre com o Lock Lomond como pano lateral, optando conscientemente por não fazer a travessia de barco, dado o tempo que teríamos que esperar até à próxima viagem.Foi um dia marcado por paisagens fantásticas mas que por virtude do clima, não conseguimos usufruir na plenitude.

Chegados ao Hotel, foi hora e dia de lavar as bicicletas, cuja falta de "higienização" já ia conferindo um mau funcionamento das transmissões.

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O jantar seria no Hotel (uma acomodação com excelentes condições),ao qual se seguiu uma visita ao Pub do Hotel, com o DA a por em prática os seus dotes musicais. Aqui pudemos também degustar um bom café, tirado pela LF, que deu também formação gratuita ao Barman. Estas situações permitiram conhecer e confraternizar com o simpático Staff do Hotel que estava a gozar a sua folga naquele local.

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20 de Junho | Dia 8 - Etapa 6 - Ardlui - Glasgow (65km - 850 D +)    

O pequeno almoço estava incluído na estadia e a avaliar pela qualidade do Hotel e do jantar da véspera, a fase pré-etapa seria um bom conforto para a primeira fase do dia. O serviço, esse foi um pouco atrapalhado, fruto dos brindes e celebrações da véspera.

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A etapa de hoje tinha um perfil acessível e bastante rolante e até ao km 15 seria integralmente em asfalto, sempre na companhia do Loch Lomond. Este primeiros km foram também acompanhados por alguma chuva que não inibiam o convívio. Este perfil mais rápido de palmilhar kms, permitiu também a nossa "caça ao tesouro", onde tivemos o prazer de conhecer um verdadeiro "Travel Bug".

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A partir do km 15 entrámos numa estrada rústica, paralela à A82 e embora algo mais rústica, o perfil rolante mantinha-se. Além do Geocaching, o nosso mestre do Fax, efetuou também aqui uma paragem técnica para avaliar a cobertura de rede daquela zona.

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Com o avançar da manhã, o Astro Rei ia dando um ar da sua graça e o dia ia tornando-se soalheiro, o que conferia muito mais brilho e cor à etapa. Viemos por este caminho até ao km 32, tendo aqui voltado à A82 até Balloch.Como se tratava de um traçado rápido, a chegada ao encontro com o nosso Staff foi mais temprana que o esperado, e seria substancialmente antes da hora de almoço. Fizemos assim apenas a visita aos jardins e às imediações do Castelo e adiamos o repasto para Milngavie.

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Ao atravessar Balloch, devido ao trânsito, passamos pelo passeio, situação que não é muito bem vista pelo trânsito peatonal.A partir do km 40, saíamos do piso asfaltado e entrávamos numa estrada de cascalho, ladeada por um frondoso e belo arvoredo. Encetávamos aqui também a fase ascendente da etapa, contendo alguns pontos de inclinação e dificuldade elevada, num dos casos levando inclusive todos os elementos (menos um - o nosso cavaleiro da Serra) a desmontar.

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Esta fase ascendente permaneceu até ao km 60, encetando aqui a descida até Carbeth, onde apanhámos a West Highland Way que nos levaria até Milngavie, uma cidade simpática e minimamente estruturada, onde o Staff nos esperava com o pic-nic declinado na véspera e que a seguir ao qual pudemos fazer a almejada visita ao Costa Coffee.

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De Milngavie até Glasgow encontrámos um ambiente mais asfaltado e já urbano, pela A81, onde, contudo, pudemos uma vez mais constatar a civilidade dos automobilistas para com os ciclistas.

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Chegados a Glasgow, uma cidade enorme (a maior da Escócia e a terceira maior do Reino Unido), e depois de nos instalarmos no Hostel e de guardarmos as bicicletas, foi tempo de passear um pouco pela parte mais central da cidade e encontrar um local para jantar, tendo sido o The Crystal Palace o escolhido, um gigante pub escocês.Alguns afoites ainda sairam um pouco até mais tarde, os restantes optaram por descansar, na tentativa de recuperar de alguns sintomas gripais que já vinham efervescendo, graças à chuva e ao vento apanhados nos últimos dias.

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21 de Junho | Dia 9 - Etapa 7 - Glasgow - Edimburgo (90km - 200 D +)

As previsões avançavam para um dia soalheiro. O despertar foi cedo e o pequeno almoço foi tomado em ritmo caminhante, com alimentos adquiridos num supermercado (que estivemos à espera que abrisse).

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Já alimentados, fomos buscar as bicicletas e verificámos que a Giant do RG tinha o pneu traseiro furado (pneu que, aquando da revisão, havia sido solicitado que fosse colocado tubeless e retirada uma câmara - trabalho que não foi realizado na loja). Assim, após alguma indecisão sobre o que fazer, optou-se por retirar a câmara e colocar uma válvula e líquido antifuro. Como a bomba não era de alta pressão, não foi fácil mas lá conseguimos. Gastámos aqui alguns minutos, contudo a etapa era fácil e rolante e não haveria dificuldade em recuperar este tempo inicialmente dispendido.

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Demos início à etapa, junto ao River Clyde, onde havíamos pernoitado. Esta primeira fase seria essencialmente urbana, de forma a sair da cidade, em direção a Norte, (aproveitando para ter uma visão cénica diferente), atravessando várias zonas residenciais, o Campus Universitário, o Jardim botânico (e a sua belíssima ponte sobre o River Kelvin).

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Ao km 6 entrámos na NCR 754, que é como que uma ciclovia e caminho pedestre, asfaltada, que acompanha uma das margens do Forth and Clyde Canal e onde encontramos muitos caminhantes, outros ciclistas e praticantes de jogging (inclusive com carrinhos de bebé).

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O Forth and Clyde Canal é uma estrutura artificial, construída para garantir transpor via marítima entre as localidades. Atualmente, além deste aspeto funcional, incrementa-se também o fenómeno turístico, que aumenta o tráfego daquelas embarcações, baixa e longilíneas, com as quais nos fomos cruzando. Incorpora também obras como canais sobre a estrada, canais sobre canais e até canais sobre o rio. A  monotonia do caminho ia sendo quebrada por alguns momentos de Geocaching, fotografia, filmagens e pelo ritmo elevado da pedalada, sempre a passar os 30km/h, para sofrimento de alguns elementos.6.jpeg9.jpeg10.jpeg O olho de lince do RL, permitiu também observar (e filmar) um veado que se encontrava junto à via. Este caminho permitia também a observação de inúmeras pontes, cujos pilares turvavam um pouco a visão, contudo o "alarme" trazido pelo RG mostrava aqui a sua utilidade, na sinalização da nossa presença e passagem.

Ao chegar ao Km 32 tivemos um dos nossos momentos de ajuda, na abertura de uma comporta, onde vários populares ajudam os operadores e o nosso RG não se fez rogado e quase que ficou contratado.8.jpeg

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Após esta paragem, voltámos ao ritmo elevado de pedalada até ao km 40, onde a LF já nos esperava para o almoço (e confirmara uma notícia que receávamos. Havíamos perdido a chave da casa onde iríamos pernoitar e o senhorio havia indicado que não estaria. Esta situação estava a gerar alguma preocupação).

O almoço foi no Bar junto à Falkirk Wheel e comemos mais umas daquelas sandes que tanta companhia nos fizeram nestes dias. Antes do repasto pudemos observar o funcionamento deste elevador giratório, que permite transferir embarcações entre dois canais, cujos leitos distam 35m.

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Visto o funcionamento da roda, fizemos o mesmo e deixámos a margem do Forth and Clyde Canal para acompanhar o Union Canal, que 3km mais à frente nos permitiria atravessar um túnel, com quase 200 anos (1822) de 630m de comprimento e 3,5m de altura.

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Adiante e já com a subida do dia (50mD+!) dobrada, destaca-se a passagem por vários aquedutos.

Neste traçado, encontramos duas simpáticas ciclistas que se encontravam a fazer a ligação entre Glasgow e Ediburgo (a pedalar por uma causa solidária) e que haviam furado um pneu e não estavam a conseguir resolver o problema. O grupo passou e os dois últimos elementos (RL e NS) perguntaram se era necessária ajuda e ao receber um feedback afirmativo, colocaram mãos à obra e realizaram a troca da câmara de ar, já com a presença e a ajuda dos demais elementos do grupo, excetuando o RM, que não dando pela paragem dos restantes elementos, seguiu a seu ritmo, tendo apenas reagrupado já a escassos km do fim.  Como um dos objetivos era chegar cedo, para poder tratar das bicicletas, e depois de tentar ajudar tecnicamente mais um ciclista, voltamos a imprimir um ritmo elevado até Edimburgo.

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À chegada, os espontâneos e emotivos abraços, de sensação de missão cumprida e da inesquecível aventura que havíamos concluído com sucesso, recheada de excelentes recordações, de muitos momentos de companheirismo e entreajuda, de vivências e imagens espetaculares e que, felizmente, decorreu sem quedas graves e problemas técnicos, maximizando o prazer da experiência.

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Voltando à resolução da problemática da chave, contactámos o senhorio, que simpaticamente se prontificou a levar-nos uma chave suplente e enquanto o mesmo não chegava, aproveitámos para lavar as bicicletas numa área de serviço nas imediações.
Ao regressarmos já a casa se encontrava aberta e resolvemos tratar logo da arrumação das malas.

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Após o jantar fomos fazer uma caminhada pelas imediações da casa, que se situava na periferia de Ediburgo (a cerca de 6km do centro), entrando em alguns pubs locais, que às 22h (e ainda de dia) já se encontravam na fase descendente e pré fecho, notando-se já claramente o efeito do álcool nos poucos clientes que ainda permaneciam.Aproveitámos também para verificar as paragens e os horários dos autocarros, para no dia seguinte visitarmos a cidade. 

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Crónica da aventura ainda por terminar, faltam os últimos 2 dias, em Edimburgo e a viagem de regresso, brevemente neste blog... Gonçalo ainda a trabalhar arduamente na escrita...

 

publicado às 22:40

Escócia 2019 - Coast to Coast to Coast - Parte I

por Trilhos Sem Fim, em 25.06.19
Preâmbulo

A ideia teve como base a experiência relatada pela Zona 55, com os respetivos traçados realizados e as dificuldades encontradas, aliada às experiências de outras travessias já realizadas (internas e Ibéricas), com a experiência comprovada pelo CC de transporte de uma bicicleta via aérea, usando um saco próprio de transporte, faziam com que estivessem reunidas as condições para avançar para o lançamento projeto. A ideia foi aceite por 6 Trilheiros e havia a possibilidade de ter carro de apoio. 
Com tudo isto alinhavado, o CC avançou para a marcação das passagens e o delineamento de um traçado, elaborando um rigoroso e muito fiável Road Book. Definidas as etapas, foi marcando os alojamentos e afinando todos os procedimentos para cada um dos dias de estadia.
Um agradecimento especial à Zona 55 e em particular ao amigo João Valério, por todas as informações, esclarecimentos e apoio prestado em todo o processo.

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12 de Junho | Dia 0

Era véspera de partida e muitos dos participantes estavam a trabalhar mas era irresistível o não vigiar o telemóvel ao tocar de mais uma notificação, com mais um lembrete de não esquecer para levar roupa impermeável, os documentos, relembrar a hora e o local de encontro e os procedimentos. Os que já tinham tudo arrumado iam partilhando as fotos das suas bagagens. Ao final do dia o RM fez a tour de passagem pelas casas, para recolher os sacos das bicicletas, para aforrar tempo para o dia seguinte. Este processo foi efetuado já com a carrinha alugada para o transporte para o Aeroporto, acompanhado pelo seu filho, que simpaticamente se voluntariou para nos ajudar.
A alvorada iria ser cedo e era necessário descansar.

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13 de Junho | Dia 1  - Etapa 0
 
À hora combinada, todos se encontravam na Sede Oficial dos TSF, devida e orgulhosamente trajados com os novos Pólos. Estava alinhavada a distribuição dos Trilheiros pelos carros, arrumadas as malas, encaminhámo-nos em direção ao Aeroporto.
Já no Aeroporto, foram tiradas as últimas fotos com as bicicletas, antes de as enviar para o porão do avião.
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Confirmados os pesos (o saco do NG tinha peso a mais, tendo sido redistribuído por outros com menos carga) era tempo de as encaminharmos até à experiência mais fantástica que iriam ter! Os olhares de preocupação eram evidentes, quais pais a despedirem-se dos seus rebentos no primeiro dia de aulas.
A viagem foi tranquila e bem disposta, havendo sempre lugar a fotos aos elementos que adormeciam.
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Chegados a Edimburgo, fomos logo brindados com a típica chuva escocesa, funcionando como que um batismo para os dias fantásticos que se avizinhavam. Após a rápida recolha da bagagem, dividimo-nos em dois grupos. Um levou as bagagens e dirigiu-se à EuropCar, para levantar o carro ligeiro (NG; DA; RL; LF), que seria conduzido pela LF e que seria o nosso carro de apoio para estes dias e outro à EasiRent para levantar a carrinha de 3 lugares (RM; RG; CC) que transportaria as bicicletas, ainda nos sacos até ao local onde pernoitaríamos as duas últimas noites (nos arredores de Edimburgo) e onde guardaríamos os sacos, cortesia do proprietário da casa.

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Mal chegámos, apressámo-nos a montar as bicicletas, que vinham parcialmente desmontadas (espigão, guiador, rodas e pedais) e a afinar as medidas. Tudo isto foi realizado com a presença do proprietário da casa, que assistia com um olhar de encanto a todo aquele processo. Após isso confiou-nos a chave para utilizarmos aquando da estadia naquele local.

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Bicicletas montadas, foi hora de as colocar na carrinha, devidamente acondicionadas. E não é que encaixavam na perfeição!

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Tudo pronto para realizar a viagem de cerca de 200km até Aberdeen.

Havia a intenção de efetuar duas paragens para visitar Castelos durante o trajeto mas como já tínhamos registado alguns tempos de atraso, entre o voo e os processos de levantamento das viaturas, a opção foi por apenas efetuar uma paragem no Castelo de Dunnottar, que apenas foi visto por fora, uma vez que já se encontrava fechado. O frio que se fazia sentir não ajudava a uma visita morosa, pelo que apenas fizemos a escadaria, em passo acelerado, até à porta, tiramos um pequeno conjunto de fotos e seguimos viagem até Aberdeen.

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A visita ao Castelo de Glamis havia sido conscientemente substituída por uma paragem para lanche numa área de serviço.
Chegados a Aberdeen, encaminhámo-nos para o Hostel (The Lost Guest House), onde estacionámos temporariamente para levar as bagagens e as bicicletas para os quartos. Aqui, dividimos novamente o grupo em dois. Sendo que 4 elementos foram entregar a carrinha (regressando no carro ligeiro) e os outros 3 elementos foram visitar a redondeza em busca de opções para jantar.
A opção recaiu pelo tradicional Fish and Chips (não estavam fantásticas), acompanhadas de refrigerantes (isto porque na Escócia é necessário ter uma licença especial para vender bebidas alcoólicas e os Take Away optam por não ter).

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Após o jantar fomos degustar uma cerveja local, em formato Pint, no The Spiritualist, um simpático e muito bem frequentado Pub, nas imediações do nosso alojamento.
No caminho para o Hostel, verificámos que Aberdeen era um local com animação noturna, a avaliar pela quantidade de pessoas que circulavam naquela zona.

190613-230745 Scotland CC.jpgEra chegado o momento de descanso, porque a grande aventura iria ter início bem cedo e todos queriam estar frescos e bem dispostos.

 

14 de Junho | Dia 2 - Etapa 1 - Aberdeen - Ballater (76km - 700m D+)
 
À hora marcada para a alvorada (7h00) já não havia um TSF que não estivesse acordado. Os elementos iam chegando à sala de pequeno almoço trajados a rigor. Faziam-se as escolhas do menu (havia quem arriscasse uma degustação mais local, outros preferiam o tradicional mediterrânico).

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Já com o aconchego da refeição foi tempo de regressar aos aposentos para ultimar os derradeiros detalhes para encetar a jornada. A bicicletas haviam ficado num dos quartos.

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Confirmava-se ferramentas, suplementos alimentares, reviam-se pneus, colocavam-se frontais, lubrificavam-se transmissões.

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Tudo estava apostos para o "tiro de partida". Um leve instante de silêncio (não havia um Trilheiro que não sentisse um ligeiro formigueiro) que foi interrompido pelo ecoar da Gaita de Foles, som que brotava da habitual coluna do RG e que seria o mote para o encetar da aventura, tendo como primeiro destino a zona portuária de Aberdeen e a sua praia.Pese embora todo o processo de preparação, nos primeiros metros verificámos que o pneu traseiro do RM tinha pouco ar (e a sua bomba não estava a funcionar), o mesmo  foi retardando a colocação de ar mas foi unânime que seria melhor parar e resolver o problema, sob risco de poder ter consequências materiais, aliado a isto o travão traseiro do CC também vinha manifestando os problemas que havia registado nas voltas anteriores, em Portugal, que registava o verter de óleo para o disco. RM com pneus cheios e CC com discos limpos (era solução provisória mas como a etapa era apenas rolante, era pacífico) percorremos o restante percurso urbano, onde verificámos o escrupuloso respeito pelos ciclistas, por parte dos automobilistas.

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Chegados à praia, feitas as fotos da praxe, encetámos oficialmente o percurso onde alcançaríamos a Deeside Way, uma ecovia adjacente ao River Dee, sem dificuldade física e técnica, que permitia rolar a uma velocidade interessante e aforrar tempo para a concretização das premissas para este tipo de aventuras.

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Paragens para contemplar e fotografar as paisagens e Geocaching e estabelecer contacto com outros ciclistas. Os primeiros kms foram efetuados em piso asfaltado, entre vegetação, com abundante presença de caminheiros, praticantes de jogging, pessoas que simplesmente iriam passear os seus cães (uma palavra para o civismo dos donos que ensinam os seus animais a manter a calma e a serenidade na presença de outras pessoas, o que torna o espaço muito mais confortável para todos os que nele circulam), assim como algumas mães que corriam com os seus carrinhos de bebé.

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Passado este primeiro cenário, entrámos numa "fotografia" mais campestre, levando-nos a Deeside Way pelo meio de alguns campos, permitindo o contacto com a fauna local.

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O ponto alto do dia estaria guardado, quando após o km 35 entrámos num denso e deslumbrante Bosque, onde fomos alcançando os valores de altimetria reservados para este dia. Aqui tivemos uma má notícia, o suporte da accion cam do RL cedeu, o que iria limitar a captação de imagens em movimento para toda a aventura.

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 Na zona de Potarch mudámos novamente de cenário, indo por uma antiga estrada militar, que nos levaria até à A93 (Estrada para Ballater). Aqui começámos a pensar no almoço, que havia ficado alinhavado com a LF em Kinkardine O'Neil ou em Aboyne. A opção recaiu sobre a segunda hipótese dada a fraca estrutura de opções comerciais na primeira. Chegádos a Aboyne estavam já à nossa espera umas deliciosas sandes que já conhecíamos, assim como a indispensável reposição de eletrólitos. 

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Repostas as forças, voltámos a apanhar a Deeside Way, paralela à A93 e com o River Dee ali mesmo ao lado. Este foi o agradável cenário que encontrámos até à entrada de Ballater, local onde iríamos pernoitar.

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Chegados a Ballater, dirigímo-nos de imediato à loja de bicicletas (Cycle Higlands) que ficava mesmo diante da unidade hoteleira onde iríamos pernoitar (Deeside Inn), com vista a resolver o problema no travão traseiro da bicicleta do CC. Era apenas a tampa do óleo que tinha ficado mal fechada. Foi apenas necessário limpar e desengordurar o disco e colocar pastilhas novas. O mecânico ensinou também o CC a aproveitar pastilhas nas quais caiu óleo, contudo, à cautela, foi mais prudente adquirir um par suplente.JFdoD4RA.jpeg

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A LF já se encontrava no Hotel e havia tratado de toda a logística, tendo falhado no planeamento dos aposentos, tendo ficado o quarto Twin para o NG e a LF e o quarto de casal para o RM e o CC. Era então altura de guardar as bicicletas num anexo e retemperarmos as forças num banho. Como ainda era cedo e o jantar era no hotel, que estava previamente agendado e pago (2,5£, o melhor negócio da vida do CC) fomos dar uma pequena volta pela vila, onde encontrámos um simpático Bar, que resultou da antiga estação ferroviária, para tomar um aperitivo.

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Depois do repasto fomos completar a visita e fazer algumas Caches, que nos permitiram conhecer mais alguns locais e um pouco da história de algumas personalidades da vila. Fomos também a um outro Bar, onde um simpático nativo meteu conversa connosco e nos indicou que um dos motivos da simpatia dos escoceses estava no facto de estarem sempre alcoolicamente bem dispostos. De regresso ao Hotel fomos fazer um pouco de tempo até à hora de deitar, tendo o entretenimento ficado a cargo do RG, tocando, ao Piano, uma peça da sua autoria, denominada "A Morte do Grilo", que motivou um incremento de boa disposição pré-sono.

 

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15 de Junho | Dia 3 - Etapa 2 -  Ballater - Aviemore (75km - 1100m D +)
 
O despertar foi à mesma hora (7h00) e pouco mais tarde já todos os Trilheiros estavam na sala de pequeno almoço para fornecer ao corpo a primeira refeição do dia, que amanhecera chuvoso e que os registos ditavam que seria duro.
À partida faziam sentir-se uns leves chuviscos, que nos levaram a vestir os impermeáveis. Enquanto preparávamos as bicicletas para mais uma etapa a LF já tinha ido comprar as sandes que levaríamos connosco e que serviriam de repasto. Começava a mostrar uma eficiência inigualável como staff.

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Os primeiros 41 km tinham muito pouca altimetria e seriam feitos junto à margem do River Dee e até ao km 25 o troço era na íntegra asfaltado, percorrendo a A93, uma antiga estrada militar, o que permitiu efetuar algumas paragens para fotografias, particularmente de uma cabine telefónica, transformada em biblioteca, situada no meio do nada ou uma fantástica ponte cujo destino era apenas uma moradia unifamiliar. 

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Ao km 13, fizemos um pequeno desvio apenas para poder visualizar as instalações da Royal Lochnagar Distillery, que ainda se encontrava fechada, pelo que apenas foi possível ver o exterior.

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Embora estes primeiros km fossem em piso asfaltado, o cenário envolvente era extremamente belo, uma vez que a A93 era ladeada por uma fantástica paisagem verde composta de árvores e musgos, que conferiam um colorido fabuloso ao cenário.

Volvidos 2km chegaríamos aos Castelo de Balmoral, situado em Crathie e que é a residência oficial da Rainha (e seu marido) em terras escocesas. Aqui apenas a LF teve possibilidade de efetuar a visita, recomendando vivamente a mesma (mesmo de bicicleta). O cruzar do Castelo coincidiu com a mudança de margem do River Dee, ficando agora do nosso lado esquerdo.

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10 km adiante sairíamos da A93 e dirigíamo-nos oficialmente para a zona das Highlands. Este momento ficou registado em forma de fax, enviado pelo CC, que revelou a sua parca experiência na captura de rede.

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Aqui deixaríamos o asfalto e encetávamos a etapa em piso "offroad", onde entraríamos na Floresta de Cairngorms. As paisagens eram cada vez mais fabulosas e o avistamento de montanhas e vales verdejantes, iluminados pelo Astro Rei, que dava um ar da sua graça, conferiam um colorido à etapa.

Começava aqui o "ritual" de transpor cancelas, onde o RG tentou colocar o seu sentido de humor em funcionamento, indicando que apenas seria transponível, galgando... Quase pegava! 

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Com o avançar dos km, íamos colocando em causa as dificuldades anunciadas no Roadbook, situação que não representava mais que uma tentativa de auto engano perante as dificuldades anunciadas.

Ao km 35 iríamos ter o primeiro ponto de dificuldade, com o atravessar de um ribeiro, afluente do River Dee. As técnicas para o atravessamento foram várias. Houve quem, sem hesitação, atravessasse. Houve quem tenha tentado passar montado. Houve quem passasse descalço. Houve quem viesse calçado mas sem meias. Houve quem procurasse pontos mais baixos para atravessar. O resultado foi o mesmo. Acabámos o dia com os pés molhados!

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Depois de atravessar mais algumas cancelas e de contemplar mais alguns fabulosos fundos cénicos, decidimos efetuar a pausa para o almoço (com as sandes compradas pela LF) perto dos 40 km, no espaço que nos pareceu mais aprazível, junto de uma passagem de água, vinda diretamente das montanhas, que permitiria, no final da refeição, reabastecer os bidons e almoçar com o som da água a correr.

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Após o almoço, o caminho começou a ter algumas interrupções, onde, face ao relevo, éramos obrigados a desmontar, até que chegámos ao ponto em que não era de todo possível fazer 10m seguidos em cima da bicicleta e caiu sobre nós a resignação de que os relatos (que a todo o custo tentávamos negar) eram reais. Seriam 15km duríssimos, apenas atenuados pelas paisagens fabulosas dos montes (onde inclusive ainda havia neve) e vales que nos circundavam e pelo espírito de camaradagem e de motivação do próximo. Nestes intermináveis km, galgámos pedras (havia quem optasse arriscar e caminhar fora do trilho) subimos, descemos, atravessamos mais rios, sempre a pé e com a bicicleta à mão que à falta de força já ia batendo nos calhaus de granito, para nossa angústia. 

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Terminado este calvário, fizemos um conjunto de metros, já montados, antes de encetar a descida, onde encontrámos um simpático ciclista, viajando a solo, com o qual abordámos as experiências que estávamos a realizar e nos confidenciou que já havia estado em Coimbra a fazer kayak.

A descida, estávamos "avisados" que tinha rasgos largos e que mesmo sendo rápida era necessária alguma prudência. Encetámos este processo com as devidas cautelas, contudo, à medida que íamos galgando as valas e a confiança ia aumentando, a velocidade ia sendo maior, assim como a permeabilidade ao erro. Situação que motivou 3 aproximações ao solo de 3 Trilheiros diferentes (RM; CC e DA), resultando apenas alguma marcas no corpo, sem consequências de maior. Durante a descida, cruzamo-nos com mais um grupo de aventureiros em bicicleta, com os quais pudemos também trocar algumas palavras e não é que um deles conhecia Leiria! Conhecimento devido ao facto do seu pai residir em Ferreira do Zêzere.

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Até às imediações do Lock Morlich o traçado era muito engraçado, num divertido estradão ladeado de vegetação.

Os últimos 10 km seriam ligeiramente descendentes e bastante tranquilos, percorridos num caminho em forma de ciclovia, paralelo à estrada até Aviemore. Aqui interrompemos a marcha para a realização de caches e para o avistamento de alguns veados que, timidamente, espreitavam entre a vegetação.

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À chegada desta etapa estava um simpático Hostel (Aviemore Youth Hostel), onde imperava a presença de caminheiros e outros ciclistas... E que tinha um leque interessante de opções para a reposição de eletrólitos.

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Após guardar as bicicletas e um retemperar de forças nos banhos foi tempo de colocar as roupas a lavar e a secar e procurar jantar, tendo a opção recaído num Take-Away próximo e a refeição tomada no refeitório do Hostel.

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Após o jantar, fomos degustar alguns destilados locais num Pub nas imediações do Hostel, onde curiosamente, numa das bicas de imperial, estava o logótipo da "nossa" Sagres, embora o conteúdo fosse outro produto.

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De regresso ao Hostel, fomos recolher a roupa, já seca, e descansar, que o dia havia deixado marcas e esperava-nos uma etapa longa e com o mesmo ascendente no dia seguinte.

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16 de Junho | Dia 4 - Etapa 3 -  Aviemore - Fort Augustus (86,5km - 1100 D +)

A alvorada foi, como sempre, às 7h00. A etapa anterior havia sido exigente e desgastante e era necessário finalizar o processo de retemperar forças para partir para mais um dia, que embora mais leve, prometia alguma dureza na parte final.

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A etapa encetou com uma passagem pela principal Avenida de Aviemore, recheada de estabelecimentos comercias alusivos à prática de Ski, visto ser uma zona de neve, no Inverno. Terminada esta tour pela vila, encaminhámo-nos para o Track, que começava atravessando um pequeno arvoredo com uma subida inclinada, que desembocava na ponte que nos permitiria atravessar o Rio Spey, e que a bicicleta do CC não achou muita piada e o atirou aos solo (sem qualquer consequência, apenas umas gargalhadas), apenas presenciado pelo NS.

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Passada a ponte, apanhamos a ciclovia paralela à estrada B970 (ou quando não havia ciclovia, pedalávamos pela via - pouco movimentada), que permitiria rolar a um ritmo interessante e simultâneamente esticar e aquecer os músculos, fatigados na véspera. O cenário envolvente era constituído por verdejantes áreas florestadas, campos agrícolas e de pastoreio. Após o km 12, em Feshiebridge, atravessámos a ponte sobre o Rio Feshie (um afluente do Rio Spey), aproveitando para tirar as primeiras fotos do dia (e mudar de águas - as pontes têm este efeito diurético).3.jpeg 4.jpeg

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Transposta a ponte, encetávamos a parte da etapa em terreno não asfaltado, retomando o processo de abrir e fechar cancelas.Entrámos aqui numa zona florestal, que se encontrava em fase de corte em alguns talhões, cujo empilhamento dos toros permitiu igualmente um enquadramento cénico de excelência para mais algumas fotos.

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Este seria o quadro que encontraríamos ao pedalar lado-a-lado com o Rio Feshie, que seria nosso companheiro até ao km 16 da etapa. Entraríamos agora numa estrada agrícola, da qual destacamos o encontro com um simpático casal que já havia passado férias em Portugal e onde avistamos também alguns exemplares dos Highland Cattle, a famosa raça bovina das montanhas escocesas. Este caminho levar-nos-ia até às ruínas do Ruthven Barracks, as mais bem preservadas de um forte do Século XVIII, e que com o bater do Sol refletia várias tonalidades de verde nos prados envolventes.

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Anotado o enquadramento cultural do monumento, seguiríamos pela estrada B970 até Kingussie, onde encetaríamos um caminho asfaltado, mais rolante e rápido, pela A86, atravessando também a localidade de Newtonmore.

12.jpeg Como ainda era demasiado cedo, optámos por não almoçar nestas localidades, sendo que o previsto seria em Laggan, ao km 45. Chegados a Laggan, ao fim de 25km de estrada asfaltada, e após algumas voltas, verificámos que apenas havia uma opção para almoçar. Um simpático restaurante, com uma loja de conveniência, onde degustámos uma reconfortante sopa de Batata Doce (que como portugueses que somos, tivemos que apimentar e salgar) e umas tostas, que deliciosamente nos recompuseram o estômago.

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Imediatamente após o repasto, retomámos o percurso em estrada militar, também asfaltada em alguns dos troços, voltado a ter como companhia o Rio Spey, onde as paisagens verdejantes enchiam o olho e "obrigavam" a mais paragens para registar os momentos.

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Esta antiga estrada militar foi o nosso troço até ao km 60, onde a partir daqui entraríamos numa estrada agrícola e florestal e que marcaria o final deste traçado mais rolante e encetaríamos um destino mais ascendente rumo ao Carrieyairack Pass, que além da dificuldade da longa subida, acrescentava-se o cascalho solto e da qual se destacou um troço de quase 1km íngreme e serpenteante, onde se ressalva a fantástica prestação ascendente do serrano RL. A cerca de 800m de altitude a vista era fantástica e o vento abundante, pelo que não era recomendada a permanência, a bem das vias respiratórias.

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Percorremos mais um pequeno troço antes de encetar a ainda mais longa descida, que nos faria descer até ao Lock Ness, que está ao nível do mar. A descida era um estradão, bastante íngreme, rápido, com algum cascalho solto e onde começavaa cair alguma chuva, contudo sem as já nossas conhecidas valas para escoamento das águas, contudo, como não tínhamos a certeza, imperou alguma prudência. 

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 O último segmento de descida tinha já como pano de fundo o mítico Loch Ness, onde à chegada ainda realizamos uma cache.

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Daqui até Fort Augustus apanhámos novamente piso asfaltado que nos levaria até ao centro da vila. Neste último troço, destacamos o portão automático de uma propriedade privada que estávamos a atravessar, que abriu automaticamente para a nossa passagem.

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Como era dia de aniversario, o aniversariante, com a cumplicidade do seu staff, providenciou e patrocinou a reposição de eletrolitos à chegada ao Hostel.

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Após os banhos, fomos até ao centro de Fort Augustus, uma vila bastante turística e essencialmente assente no mito da Nessie. Jantámos num dos restaurantes junto ao lago, onde aproveitámos para realizar uma caminhada de descompressão, procurar mais algumas caches e tirar um conjunto de fotos antes de recolher para o merecido descanso.

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Este foi o dia em que conhecemos os famosos midjes. Uns insetos irritantes e sedentos de sangue latino, para os quais estávamos alertados.

Continue a ler este crónica no post seguinte ou aqui

publicado às 22:29

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publicado às 01:16

Trilhos Sem Fim subidas e passagem no moleiro

por Trilhos Sem Fim, em 16.06.19
Trilhos Sem Fim vão a Fátima e descem o Moleiro

publicado às 19:59

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Sobre nós

Neste blog um grupo de amigos irão falar das suas vivências tendo como fundo uns passeios de bicicleta. À conquista da natureza, ganhando saúde.

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