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Foram duas semanas a amadurecer a ideia e a criar motivações intrínsecas para voltar a Drave, aldeia inabitada, mas não abandonada, nas encostas da serra da Freita. A equipa das Rotas GPS do grupo Trilhos Sem Fim trabalhou afincadamente e reuniu vários percursos, até criar o ideal. Aquele que concilia a beleza do percurso, a sua dificuldade, mas também o que proporciona os melhores momentos de convívio. São 65 km de pura aventura.
Já deveras motivado, fiz os acertos necessários na agenda, higienizei a bike e adquiri os viveres indispensáveis. Tudo pronto!
Subitamente, como um relâmpago numa noite escura de inverno, os arautos da meteorologia anunciaram a possibilidade de chuva em Drave. Honestamente fiquei tranquilo, pois um trilheiro, mesmo chovendo picaretas, não deixa de bttar. Dessa determinação são exemplo a travessia da Escócia, com chuva e pedra molhada, os Caminhos de Santiago e os passeios semanais em dias de inverno à volta da nossa cidade. Para me acalmar percorri os anais dos Trilhos Sem Fim (TSF) e não encontrei memória do adiamento de qualquer rota devido a condições climatéricas. Fiquei confiante!
Mas, também neste caso, a exceção confirmou a regra, com chuva, mesmo que seja 0,2mm, não se pode ir a Drave. Desanimado, deitei-me no final do dia 10 de junho, dia dos portugueses que não temem a chuva, e adormeci rapidamente, sabendo que mesmo sem Drave, há sempre um passeio à nossa espera no dia seguinte.
Bem cedo, no dia 11, juntaram-se no PR o Artur, Amílcar, Rogério, Rui P (eu), Rui L, Cláudio e Hélder. Saímos rapidamente em direção às Fontes com ideia de ir a Drave. Passámos São Pedro do Sul, circulámos ao redor da fonte termal, onde enchemos os cantis. É que com frio e chuva na serra o cantil de água quente pode ser de uma utilidade extrema. Visitámos os balneários termais de D Afonso Henriques e iniciámos a subida da Freita. Mas que diabo, por que motivo saímos de bike do Parque Radical de Leiria e de repente estávamos nos balneários do Rei?
Continuamos o passeio e bem no alto do Cabeço a Maunça decidimos que o pastel de Fátima era a solução para a reposição de energia necessária para subir da Aldeia da Pena, bem lá no sopé da Serra de São Macário, até ao Portal do Inferno, no cume da serra da Freita. Seguimos estrada adiante, mirando o desfiladeiro. Em Fátima deliciámo-nos com os pasteis, que estavam no ponto, nem frios nem demasiados quentes. Após o café pegamos nas bikes e partimos. Fizemos o trilho por entre os arbustos. No final da estrada, mesmo antes da curva, descemos o trilho de pedra grossa e solta, algo perigoso, de tal modo que o CC quase saiu de estrada à saíde do Vale Maior. Subitamente, demos connosco no estradão empedrado, agora com pedras muito secas, que nos levava a Drave. Curiosamente chovia com alguma intensidade, mas a água daqueles pingos finos, mas abundantes, não chegava ao pavimento sagrado da Serra da Freita. Fantástico!
Percorremos o trilho de acesso à mítica aldeia de Drave, pedra após pedra, contornando as mais salientes, sempre no lado oposto ao precipício. Fomos ganhando distancia, na esperança de alcançar o objetivo do ano, Drave.
Agora, o grupo dos sete estava silencioso, tão silencioso que por momentos pensei estar só. Mais alguns metros e na saída daquela curva fechada, lá estava a preciosa, não habitada, mas não abandonada aldeia de…
Subitamente toca o despertador e acordei. Afinal tudo não passou de um sonho. Um sonho belo, mas ainda não concretizado, pois um ameaça de chuva reduz meia dúzia de trilheiros a seres medroso, que à primeira ameaça de chuva não saem da toca. Coelhos!!
Rui Passadouro
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