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Junto à ribeira do Sirol já ela tinha estado, não em contemplação, mas afirmando a sua condição. Que peixe gordo e abundante!

Nós, montados nas nossas bikes, protegidos do piso áspero e enlameado, avançámos com o Alqueidão da Boa Vista na mira. Já na floresta, deparámo-nos com um verdadeiro festim para os sentidos. O cheiro da vegetação verdejante, nestes dias soalheiros de março, foi bruscamente cortado pelos perfumes da aromatizante cozinha tradicional. Cheirou a leitão assado, mesmo sem ele estar presente, o Rui. Também ela tinha cruzado estes caminhos e foi feliz. Algumas vezes!

Já no cume, rolámos freneticamente por carreiros largos, entre os pinheiros que pareciam saudar-nos à passagem. Para ela nunca foi fácil!

Subitamente a primeira queda. Cardinhos! Podia ter sido grave. Um após outro fomo-nos apercebendo de quão traiçoeiro eram estas veredas. Artur, Rui P, Cláudio, Rui G… tornaram-se o exemplo puro e fiel dos que provaram a dureza do percurso. Queda pequenas, que se fossem grandes e aparatosas seriam certamente perigosas. Até podia ter falecido! Ela, muitos séculos antes, também experimentou a dureza do percurso e da vida naquelas encostas íngremes, muitas vezes a tentar evadir-se do terrível urso pardo. Porém, naquela manhã de março, já cansada, a tez queimada pelo frio de inverno (nestas paragens era terrível) e com as marcas do urso no peito e na fronte ainda conseguiu sobreviver, debilitada. Da Raposeira e da Caxieira escapou, mas no Leão não se livrou…

Nós passámos o Leão e a Caxieira e apreciámos os deliciosos trilhos que serpenteava encosta abaixo rumo à via principal do Lapedo. Antes, já a Edite tinha presenteado os homens com um delicioso café. Obrigado! Também Ela tinha sido generosa nas cercanias daquele local.

De novo, após um curto percurso contemplativo a subir a encosta, rumámos à falésia do Lapedo, que percorremos a grande velocidade para deleite de todos. Há tantos anos a fazer BTT e ainda não conhecemos alguns recantos do nosso jardim!

Ela, há 24500 anos também fez este percurso, para sepultar o seu menino que teria nascido do cruzamento de um Homo neanderthalensis com um Homo sapiens. Sepultou-o após cavar uma pequena fossa mortuária, e como exéquias queimou algumas folhas de ramos de pinheiro. A criança foi embrulhada numa mortalha tingida com ocre vermelho e estendida na fossa, de costas e ligeiramente inclinada para a parede do abrigo. Junto ao pescoço foi ainda colocada uma concha tingida a ocre, que deveria fazer parte de um colar, e quatro dentes de veado, na cabeça, que poderiam fazer parte de uma espécie de touca. A criança foi ainda enterrada com oferendas de carne de veado.

Pois é, aquele mãe que esteve na minha mente, ou hoje não fosse o dia da mulher, deve ter sofrido horrores para alimentar o seu bebé e muito mais terá sofrido quando o sepultou num recanto do nosso quintal. Seremos seus descendentes? Na dúvida, fica o desafio para uma visita ao centro de interpretação de "O menino do Lapedo".

Nós, já de barriga cheia de btt, dirigimo-nos a casa e, tal como o dito urso, até podíamos dispensar a refeição e passar diretamente à sobremesa.

Tenham uma boa semana.

Rui P

 

P3080022

publicado às 19:16


19 comentários

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De Rui L a 09.03.2015 às 17:54

eh pah... isto até parece os TSF... Parabéns a todos... 
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De Edite a 09.03.2015 às 18:35

Olá Pessoal dos TSF!

Agradeço a excelente manhã de BTT que me proporcionaram no dia da mulher! Descobri muitos trilhos novos, aqui tão perto.
Texto brilhante de uma mente brilhante! Parabéns RP!
Quando quiserem vir ao Ninho o convite está feito. 
Parabéns ao Artur que tem 2 tarefas muitos difíceis: pedalar e filmar.


Bem haja a todos.
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De Helder Malheiro a 09.03.2015 às 19:51

Foi uma excelente manhã de BTT   ;
Quem veio de certeza que deu o tempo por bem empregue quem não veio... ...bem pode deliciar-se com o belo texto com que o nosso Director nos presenteou e com as fotos e filme com a qualidade a que o AF nos habituou (sem desprimor para o editor, que por muito bom que seja - e neste caso é - ainda precisa de ovos para fazer omoletas ).
Só me faltaram uma poças de água para testar os guarda-lamas de alguns companheiros que até lavaram a bicicleta a meio...Image
Ah e não pensem que nos faltou energia para o regresso a casa!ImageImageImageImage
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De Artur Fernandes a 09.03.2015 às 22:47

Quem  não conhecesse podia julgar que é pá só uma pessoa consegui reconhecer um pouco da trabalheira que passo para que os meninos aparecerão todos janotas no filme e nas fotos e obrigado por me aturarem...!
Devemos sentir-mo-nos como eu com orgulho de sermos diferentes do panorama nacional...
Por isso somos TSF
Mesmo na forma como  se filma...!Há fotos que são do próprio filme. 




Image
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De fernandocaseiro a 10.03.2015 às 11:17

vejo que passaram uma manhã muito animada e eu cheio de inveja,obrigações familiares assim o ditaram,  tivemos aqui um belo texto do nosso diretor e um excelente video do nosso reporter Artur domingo haverá mais mas antes temos a noturna na quinta até lá uma boa semana de trabalho"ou não"
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De Nuno Gonçalo Santos a 10.03.2015 às 19:59

Tenho a certeza que a qualidade da prosa refletiu o prazer da manhã velocipédica. Sem dúvida, um dosmelhores textos que por aqui tive oportnidade de ler (e a fasquia é elevadíssima, recordo-me assim de repente de um excelente texto em verso do A' Armindo, da crónica suis generis do Alípio na passada semana e de um texto muito bom do Cláudio após regressar do Oriente, só para citar alguns exemplos), foi o que se chama, "um regresso em grande". Já para não falar da sempre magnifica captura de imagens, efetivamente o Artur é um artista com uma câmara nas mãos, mesmo em trilhos que nunca visitou parece que adivinha o melhor local para a captação das imagens que fazem a nossa delícia no final do domingo. Isto é talento!
Boa semana a todos. Domingo lá estarei.

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Neste blog um grupo de amigos irão falar das suas vivências tendo como fundo uns passeios de bicicleta. À conquista da natureza, ganhando saúde.

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